A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) divulgou em 11 de maio de 2026 os resultados do setor de meios eletrônicos de pagamento referentes ao primeiro trimestre do ano, confirmando a expansão contínua do mercado. Segundo o relatório, no período, os pagamentos com cartões cresceram 8,3%, o que gerou um movimento de R$ 1,1 trilhão em 11,7 bilhões de transações. O cartão de crédito foi o destaque, com alta de 12,8% e volume de R$ 810,2 bilhões, enquanto o débito registrou retração de 2,4% e o pré-pago avançou 1%, alcançando R$ 94,5 bilhões.
Já os pagamentos por aproximação (NFC) tiveram crescimento expressivo de 19,3%, alcançando R$ 504,8 bilhões e representando 74,8% das transações presenciais, consolidando-se como uma das principais tendências do setor. Os resultados reforçam a consolidação dos meios eletrônicos como protagonistas da transformação digital no setor financeiro brasileiro.
Setor de cartões deve ultrapassar R$ 5 trilhões em 2026 — e o impacto dos chargebacks ganha relevância estratégica
Ainda segundo a Abecs, em matéria para a revista Central do Varejo, o setor de meios eletrônicos de pagamento deve ultrapassar R$ 5 trilhões em transações em 2026, consolidando o Brasil como um dos mercados mais dinâmicos do mundo. Esse crescimento, porém, traz consigo desafios significativos relacionados à gestão de riscos.
De acordo com a Clearly Payments, o Brasil apresenta uma taxa média de chargeback de 3,48%, superior ao limite de monitoramento utilizado pelas principais bandeiras internacionais. O impacto financeiro não se limita ao estorno ao consumidor: envolve custos operacionais, jurídicos, logísticos e reputacionais, que pressionam a rentabilidade e a eficiência das empresas do ecossistema de pagamentos.
As pesquisas apontam que esse cenário reforça a necessidade de soluções estruturadas e tecnológicas para transformar o chargeback de um problema operacional em uma estratégia de confiança e competitividade, capaz de proteger receitas e fortalecer a experiência do cliente.
Chargeback como estratégia
Sérgio Coelho, diretor de TI da Kstack, destaca que “o chargeback deixou de ser apenas um problema operacional e passou a ser um tema estratégico para adquirentes, subadquirentes, emissores, bandeiras e estabelecimentos comerciais, sendo a automação o caminho para transformar perdas em vantagem competitiva”.
De acordo com Fábio Palmeira, executivo com ampla experiência no setor financeiro e de meios de pagamento, que atuou por 13 anos como diretor-executivo de risco e operações da Redecard e teve passagens por JPMorgan Chase, Banco Nacional e Bozano Simonsen, a gestão de chargebacks vem passando por uma transformação silenciosa, porém estrutural.
“O que historicamente era tratado como uma atividade operacional, reativa e focada apenas no cumprimento de prazos regulatórios, passa a ocupar um espaço cada vez mais relevante na agenda estratégica das organizações, especialmente diante do crescimento das transações digitais, da sofisticação das fraudes e da pressão crescente por eficiência operacional”, comenta.
Fábio afirma que, nesse cenário, o conceito de Chargeback as a Service representa uma evolução natural do modelo tradicional de gestão de disputas, com uma abordagem integrada, contínua e orientada por dados, com impacto direto na gestão de risco. “O modelo transforma a operação de disputas em um processo estratégico, escalável e focado na redução de perdas e na eficiência operacional”, ressalta o executivo.
Segundo o executivo Sérgio Coelho, no atual cenário de crescimento expressivo dos meios eletrônicos de pagamento no Brasil, conforme os dados divulgados pela pesquisa da Abecs, a gestão eficiente do chargeback assume papel estratégico fundamental.
“Com o volume total de transações com cartões de crédito ultrapassando R$1,1 trilhão no primeiro trimestre de 2026 e a ampliação das compras digitais e pagamentos por aproximação, o potencial de ocorrências de chargebacks também cresce proporcionalmente”. O executivo da Kstack explica que isso implica impactos diretos nas receitas e na operação das empresas envolvidas, tornando imprescindível a adoção de processos automatizados e tecnologias avançadas para mitigar perdas e preservar a rentabilidade.
Sergio Coelho ainda destaca que o chargeback representa uma interrupção no fluxo financeiro que traz custos significativos, não apenas pelo valor contestado, mas também por taxas, multas, custos operacionais e pelo efeito financeiro do fluxo de caixa. “Por isso, uma abordagem que vá além do simples tratamento reativo, incorporando automação do processo de tratamento das disputas, monitoramento contínuo através de indicadores de performance da rede de estabelecimentos, é decisiva para maximizar a reversão de prejuízos e dar maturidade operacional”, finaliza o executivo.
Setor em expansão
Os números citados pela Abecs mostram que o setor de pagamentos segue em expansão, impulsionado por inovação e digitalização, mas o crescimento traz consigo a necessidade de soluções robustas para gestão de riscos.
Iniciativas como o KSK Exceptions Chargeback e o Chargeback as a Service mostram que a contestação de transações pode evoluir de um simples custo operacional para uma estratégia de diferenciação e competitividade.
Website: https://www.kstack.com.br/
