Por: Victória Lima, sou Psicóloga Clínica, Coordenadora do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da Prefeitura Municipal de Cardoso Moreira, e pós-graduanda em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.
O que é ser mulher?
Pergunta difícil de ser expressa. Em um contexto histórico, é ser objetificada e docilizada aos detentores de todo poder e razão.
Até a década de 60, as mulheres casadas precisavam de autorização por escrito do marido, para que pudessem viajar.
Ora, uma simples situação que retirava toda liberdade de ser, de ir e vir.
Mesmo após essa lei ser revogada, esse "costume" ainda se mantinha pelas gerações mais velhas, pelo receio de ser mal vista pela sociedade.
Atenção e afeição são coisas associadas as mulheres em efeito global.
É comum ouvirmos, "não importa se você está cansada, sua obrigação é fazer a comida". Será mesmo?
Conquistamos o "direito" de trabalharmos, e ainda assim, nos devotam todas as características maternas e domésticas.
Então saímos de um posição de fragilidade para a de Mulher Guerreira?
Vemos tantos relatos de orgulho ao mencionar a rotina da mulher, como incansável, trabalhadora, aquela que luta para que todos possam ter conforto em casa.
Pasmem, vocês alguma vez já devem ter ouvido que a mulher com toda essa rotina ainda precisa de um tempo para praticar o autocuidado.
Bem, em que momento a sociedade patriarcal espera que ela o faça?
Não seria uma relação de cuidado mascarada?
Então, voltamos a mulher guerreira, que em meio a tudo, encontra tempo para si, ou ainda, ditam que ela precisa desse tempo.
Quantas vezes ouvimos situações de abdicação da vida!?
Comprar um shampoo, creme, em certas situações uma roupa; vem acompanhado de: "pra quê gastar dinheiro com isso?"
"Você não precisa disso, uma andorinha só não faz verão."
"Temos outras prioridades."
Novamente pasmem, a cerveja está em dia, a contribuição mensal da pelada também.
Apenas docilização da mulher.
O que nos faz bem? Essa pergunta na maior parte das vezes não existe.
Somos "destinadas" a maternidade. Mas você alguma vez parou para pensar que, ser mãe é muito mais que afeto e cuidado?
O sangue é o menor dos fatores.
Se não nos sentimos bem para a maternidade, traremos um ser ao mundo para de certa maneira não ter uma qualidade devida, porque é prescrito pela sociedade ou em outros casos pensando no prazer momentâneo sem nenhuma consciência.
Ser mulher não é sinônimo da maternidade.
Ser mulher é poder ter a escolha de alcançar o que almeja, e talvez a maternidade esteja ali incumbida.
Sofremos pela misoginia que está dentro da sociedade patriarcal.
Não somos objetos maternos, domésticos e de prazer.
Temos voz e vez, e muitas de nós levantamos essa bandeira. Agora sim como mulher Guerreira, não por sermos ortopédicas a serviço do homem, mas porque vivemos numa intensa luta por nossos direitos.
Ao nos obrigar por um bem maior, (patriarcal) voltado a afeição, em nenhum instante é pensado na dor a que somos submetidas, nos traumas que são gerados. Somos apenas "jogadas" aos leões.
Na época da monarquia, a mulher era a responsável por manter a continuidade do reinado através da gestação do sexo masculino. Mas na hora do parto, diversas vezes, era apenas o caminho para o sucessor vir ao mundo. Não importava sua saúde para que ele chegasse.
E é isso que ainda querem reproduzir, lembrando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui como saúde um completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença.
Somos Mulheres Guerreiras, vivendo uma intensa teia de lutas e conquistas, em busca de vez e voz.

