Caro (a) leitor (a),
Hoje apresento-lhe uma Resenha Crítica do capítulo “A inclusão que é ‘nossa’ e a diferença que é do ‘outro’”, do livro Inclusão e Educação: doze olhares sobre educação inclusiva.
Ao longo das seções o autor reflete acerca dos moldes que a inclusão e exclusão são postos pela sociedade, política e cultura.
A primeira seção, traz uma discussão acerca da normalidade. Será que existe normal de escrita e leitura, normal de atenção e memoria, ideia do normal corporal, normal sobre sexualidade, assim como o normal de aprendizagem? Será que existe um modelo de normalidade, para haver a escola da inclusão e escola regular?
O autor enfatiza que normalizar é designar uma identidade, sendo a única e verdadeira, e quem não estiver nesse padrão identitário não se “encaixa” para a escola regular.
A segunda seção, percorre caminhos filosóficos para abordar o que é diferença.
Ao citar vários filósofos, o autor afirma que para Jacques Derrida (2003), a diferença é uma referência à alteridade, visto que o outro específico nunca é o mesmo, ainda que muitos queiram torná-lo. A obsessão humana que muda, inventa e fabrica o outro.
Sendo assim, o outro é traduzido como alteridade, tanto de fora, quanto interior.
Nesse sentido, os diferentes são reflexos de uma sociedade que é racista, na lógica da categorização, separação, e sobretudo diminuição de traços, marcas, sujeitos.
Ao colocar os diferentes como “aqueles”, implica no conflito, já que o diferente não está na norma, não é correto. O que essa exclusão significa? Consiste no processo de diferencialismo, podendo ser em relação ao gênero, classe social, aprendizagem, imagem corporal, isto é, realizar conotações pejorativas e superiores, ao que não é igual.
Há uma preocupação com as diferenças, e isso tem se tornando uma obsessão.
Na perspectiva educacional, a escola apresenta uma vasta obsessão pela alteridade, obsessão pelo “anormal”.
A terceira seção, reflete sobre os eufemismos, que denotam os reflexos do diferencialismo. Para o autor, o fato de haver mudanças nas denominações técnicas, como deficiente; com diversidades; com necessidades educativas especiais, não há de fato mudança nos dispositivos técnicos, nem nos programas de formação.
O que há é a perpetuação do diferente como a origem dos problemas, e aquilo que precisa ser tolerado.
O autor enfatiza que as palavras têm um grande poder.
Por mais que o termo diferente, marque a segregação, no sentido humano, é a diferença que nos torna únicos, dotados de individualidade.
A quarta seção, discute sobre a importância de haver leis, textos, e reformas, no entanto, há o esquecimento da necessariedade dos movimentos sociais que fundamentam as mudanças educativas.
A mercadologia na educação do que é mais conveniente, emprega seu grande papel, cujo nome é diferencialismo. Ter parâmetros técnicos de direitos e deveres da escola, não é algo irreal, mas ter parâmetros que obriguem as escolas a receberem o humano, é minimamente hediondo.
Seguindo nesse caminho, os paradigmas da integração e inclusão são conflitantes. Enquanto a integração busca normalizar ou melhorar o que não está na normalidade, a inclusão visa receber esses sujeitos e modificar estratégias de ensino para que possam alcançar os objetivos propostos. Contudo, para o autor o grande problema reside na segregação humana, as diferenças sendo ignoradas e/ou ocultas.
Logo, é imprescindível abraçar a intensidade e imensidade das diferenças.
A quinta seção, aborda a inclusão como mecanismo de controle não oposta a exclusão, exceto por aqueles que substituem o processo de controle social.
O sistema político, cultural e educativo produz a inclusão, assim como a exclusão, no sentido excluir a alteridade e depois inclui-la, não possibilitando viver a diferença que há em nós, ou que almejamos alcançar. O intuito não é a escola especial ou regular, mas sim, a educação em seu conjunto, a conversação do outro com os outros.
A sexta seção, discute a importância de utilizar o termo diferença, uma vez que, estão presentes nas coisas mais banais; ela constitui o humano. Portanto, não devem ser docilizadas e domesticadas.
A sétima seção, discute acerca da formação da equipe pedagógica. Embora haja necessidade dos parâmetros técnicos e legais, a experiência do contato, a conversação, as vibrações, que fogem aos textos, são imprescindíveis, para o acolhimento, e não perpetuam o discurso generalista sobre o humano.
Finalizando o artigo, o autor reflete sobre a importância de tais mudanças, visando incluir sem excluir.
Entretanto, um sujeito por si só, não é capaz de mudar todo um sistema de ensino, mudanças na sociedade e na política são fundamentais.
Fonte: SKLIAR, C. “A inclusão que é ‘nossa’ e a diferença que é do ‘outro’.” In: RODRIGUES, D. Inclusão e educação: doze olhares sobre educação inclusiva. São Paulo. Summus, 2006.

