Faz algum tempo que a obesidade deixou de ser considerada apenas uma questão estética e passou a ser reconhecida pela medicina como uma doença crônica, complexa e multifatorial. Além do aumento de peso, a condição provoca alterações no funcionamento do organismo e está diretamente relacionada ao desenvolvimento de doenças cardiometabólicas, que afetam o coração, os vasos sanguíneos e o metabolismo.
Hipertensão arterial, diabetes tipo 2, colesterol elevado, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC) estão entre os principais problemas associados à obesidade. Quando esses fatores aparecem em conjunto, o risco de complicações cardiovasculares aumenta significativamente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas viviam com obesidade no mundo em 2022. A entidade destaca que a obesidade é uma doença multifatorial, influenciada por fatores genéticos, comportamentais, padrões alimentares, nível de atividade física e condições ambientais.
Para o médico Dr. Lucas Moser, a obesidade precisa, sim, ser tratada como uma condição de saúde e não apenas como uma questão de peso. “O excesso de gordura corporal provoca alterações metabólicas importantes, aumenta processos inflamatórios e pode contribuir para o surgimento de doenças que comprometem a qualidade de vida e a longevidade”, afirma.
Gordura visceral aumenta risco de inflamação e doenças metabólicas
Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), dos Estados Unidos, a gordura visceral, acumulada principalmente na região abdominal ao redor dos órgãos, é considerada um dos fatores de maior preocupação. Ela está associada ao aumento da resistência à insulina, condição em que o corpo passa a ter dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue.
Com o tempo, esse processo pode favorecer o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Além disso, a inflamação causada pelo excesso de tecido adiposo pode contribuir para alterações no colesterol, aumento da pressão arterial e formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.
“A obesidade aumenta a pressão intra-abdominal, o que pode causar aumento da pressão arterial e o desenvolvimento de doenças cardíacas. Sendo assim, não devemos avaliar apenas o peso corporal. A distribuição da gordura e o impacto dela no metabolismo são fatores fundamentais para identificar o risco de cada paciente”, explica o Dr. Lucas Moser.
Obesidade e diabetes formam uma combinação perigosa para o coração
A relação entre obesidade e diabetes tipo 2 é uma das mais conhecidas na medicina. Pessoas com excesso de peso apresentam maior risco de desenvolver resistência à insulina, o que, como já vimos, pode levar ao aumento da glicemia. O diabetes, por sua vez, é um importante fator de risco cardiovascular. A elevação constante da glicose no sangue pode causar danos aos vasos sanguíneos e favorecer problemas como hipertensão, infarto e AVC.
Análise dos dados da Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, feita pela Sociedade Brasileira de Diabetes, aponta que a obesidade aumentou 118% no Brasil desde 2006, já a diabetes tipo 2 cresceu 135% no mesmo período.
Para o Dr. Lucas Moser, obesidade e diabetes podem criar um ciclo difícil de interromper. “O excesso de peso aumenta o risco de doenças metabólicas, enquanto essas condições podem reduzir a capacidade física e prejudicar a qualidade de vida”, explica o médico. Ele destaca ainda que é importante que o tratamento seja individualizado: “Cada pessoa apresenta uma combinação diferente de fatores de risco, histórico familiar e condições associadas. Por isso, a avaliação médica é fundamental”.
Doenças cardiovasculares estão entre as principais consequências
As doenças cardiovasculares continuam entre as maiores causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora fatores como idade e genética tenham influência, condições relacionadas ao metabolismo e aos hábitos de vida têm papel importante na prevenção.
“Mais uma vez, a hipertensão arterial também merece atenção. O excesso de peso pode aumentar a resistência dos vasos sanguíneos, fazendo com que o coração trabalhe sob maior pressão. Quando não controlada, a doença pode causar danos progressivos ao coração, rins e cérebro”, explica Dr. Lucas Moser.
Prevenção e tratamento exigem acompanhamento médico
O controle da obesidade e a prevenção das doenças cardiometabólicas dependem de uma abordagem ampla. Especialistas ressaltam que não existe uma única solução, já que a doença envolve fatores biológicos, comportamentais e ambientais.
“Uma alimentação equilibrada, com maior consumo de frutas, verduras, legumes, fibras e proteínas adequadas, aliada à redução de alimentos ultraprocessados, é uma das principais estratégias para proteger a saúde”, declara o Dr. Lucas Moser. Para ele, a prática regular de atividade física também desempenha papel essencial: “Exercícios ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir gordura visceral, controlar a pressão arterial e proteger o sistema cardiovascular”.
Além das mudanças no estilo de vida, o acompanhamento médico permite avaliar riscos e definir o tratamento mais adequado. Nos últimos anos, novas terapias medicamentosas para obesidade passaram a ser utilizadas como parte do cuidado de pacientes selecionados.
“O objetivo do tratamento não é apenas perder peso, mas reduzir riscos, prevenir complicações e melhorar a saúde como um todo. A obesidade é uma doença que precisa de acompanhamento contínuo”, finaliza o Dr. Lucas Moser.
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