O sistema de consórcios registrou 11,4% de crescimento no total de consorciados ativos ao saltar de 12,04 milhões, em julho de 2025, para inéditos 13,41 milhões no mesmo mês deste ano, de acordo com o levantamento feito pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) junto à maioria de suas associadas.
No destaque, o volume alcançado pelo consórcio de imóveis, que, a partir de julho, passou a ser o segundo maior setor em participantes ativos, com 3,32 milhões, ultrapassando o consórcio de motocicletas, com 3,25 milhões.
Na comparação entre os acumulados de janeiro a julho de 2026 versus os mesmos sete meses do ano passado, os negócios decorrentes das vendas alcançaram R$ 331,60 bilhões, 22,9% acima dos R$ 269,92 bilhões anteriores.
Também as vendas de cotas avançaram. Enquanto neste período somaram 3,31 milhões de adesões, há doze meses totalizavam 2,88 milhões, anotando avanço de 14,9%.
Ao manter o ritmo de negócios consorciais, o sistema de consórcios vem apontando a crescente maturidade do brasileiro na administração de suas finanças pessoais, buscando manter o orçamento mensal pessoal ou familiar equilibrado, por vezes com algum endividamento.
Ao atingir 13,41 milhões de consorciados ativos em julho, constatou-se 63,3% de crescimento sobre os 8,21 milhões anotados desde janeiro de 2022. Nestes quatro anos e meio, foram obtidos 54 recordes consecutivos, com exceção de abril de 2023.
Ainda de janeiro a julho, a somatória de consorciados contemplados, ocasião em que os créditos concedidos podem ser transformados em bens e serviços, superou a marca do milhão ao atingir 1,03 milhão, 3,2% maior que os 998,10 mil dos mesmos meses de 2025.
Os decorrentes créditos concedidos alcançaram R$ 74,38 bilhões, potencialmente injetados no mercado interno dos setores, 9,6% superiores aos R$ 67,87 bilhões anteriores.
O tíquete médio de julho apontou R$ 107,82 mil, com retração de 4,2% sobre o do mesmo mês de 2025, quando atingiu R$ 112,52 mil. A redução é justificada pela adesão a créditos menores e comportamento do brasileiro em assumir compromissos capazes de serem cumpridos dentro do orçamento, compatíveis com sua renda.
“O início do segundo semestre do sistema de consórcios manteve o mesmo ritmo praticado nos seis primeiros meses do ano. Ficou claro que as perspectivas apontadas em janeiro, especialmente para as adesões, vêm se confirmando. Mesmo com as oscilações da inflação, desaceleração da economia e possíveis influências climáticas, o brasileiro tem procurado conservar equilibradas as finanças pessoais, apesar do alto endividamento familiar, 84,9% entre os que ganhavam três salários mínimos em julho, divulgadas recentemente. Vale destacar que, no sentido inverso, a tendência tem sido a crescente consciência sobre educação financeira, que permite projetar otimismo nos consórcios”, detalha Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da ABAC.
Detalhes dos indicadores
Vendas de cotas
De janeiro a julho, o destaque nas adesões gerais foi o total atingido no último mês, 487,86 mil, acima da média mensal de comercializações, que está em 473 mil em 2026.
Na somatória das vendas, 3,31 milhões de adesões, a distribuição por setor ficou assim: 1,17 milhão em veículos leves; 979,67 mil em imóveis; 896,38 mil em motocicletas; 114,95 mil em eletroeletrônicos; 109,83 mil em veículos pesados, e 38,76 mil em serviços.
Entre os seis segmentos, cinco registraram avanço das vendas: imóveis, com 40,8%; eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 15,6%; serviços, com 10,3%; motocicletas, com 8,0%; e veículos leves, com 6,1%. A única retração: veículos pesados, com (-7,2%). Contudo, ao longo dos sete meses, observou-se uma recuperação nos desempenhos mensais neste setor, acompanhando paralelamente o mercado de pesados em geral.
Contemplações
Os consorciados contemplados por setor ficaram assim distribuídos: 440,07 mil em veículos leves; 391,03 mil em motocicletas; 93,93 mil em imóveis; 56,05 mil em veículos pesados; 24,41 mil de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 24,28 mil em serviços.
Participantes ativos
Os percentuais de participações dos consorciados ativos em cada setor estiveram assim divididos: 41,2% nos veículos leves; 24,8% nos imóveis; 24,2% nas motocicletas; 7,0% nos veículos pesados; 1,8% nos eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 1,0% nos serviços.
Em cada segmento em que o consórcio está presente, dos 13,41 milhões de participantes ativos, a divisão ficou assim: 5,53 milhões em veículos leves; 3,32 milhões em imóveis; 3,25 milhões em motocicletas; 933,32 mil em veículos pesados; 235,62 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 126,82 mil em serviços.
Tíquete médio em cinco anos
Ao analisar o comportamento dos tíquetes nos meses de julho, nos intervalos dos últimos cinco anos, verificou-se valorização nominal de 68,8% na evolução dos valores médios registrados. Ao descontar a inflação (IPCA) de 18,6% do período, na relação da diferença de R$ 63,89 mil, de julho de 2022, para R$ 107,82 mil, no mesmo mês de 2026, houve elevação real de 42,3%.
A importância dos consórcios na cadeia produtiva
Ao longo de seis décadas, o consórcio tem sido a opção mais simples e econômica para o consumidor atingir seus objetivos de consumo, empreendedorismo ou formações e ampliações patrimoniais com planejamento a médio e longo prazos.
No resumo de janeiro a julho da potencial participação das contemplações do consórcio, foram liberados mais de R$ 54,77 bilhões, somente para os veículos automotores. O consórcio atingiu 27,1% de possível presença no setor de automóveis, utilitários e camionetas. No de motocicletas, houve 28,5% de provável participação, e no de veículos pesados, a relação para caminhões foi de 28,0%, no período.
O consórcio está atualmente presente em praticamente todos os principais segmentos da economia brasileira. Desde o início até hoje tem sua importância no de veículos leves. Depois, ainda em automotores, vieram as motocicletas e veículos pesados, os imóveis, serviços e eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.
Ano após ano, vem expandindo seu market share no mercado financeiro. As fortes características do mecanismo são não gerar inflação e alavancar a produção industrial.
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