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BOM JESUS DO ITABAPOANA DECRETA ESTADO DE EMERGENCA

surto de chikungunya

BOM JESUS DO ITABAPOANA DECRETA ESTADO DE EMERGENCA
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A cidade de Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense, está enfrentando uma epidemia de chikungunya. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram notificados 1.146 casos da doença em 2019, dos quais 245 foram confirmados.

Diante do panorama, foi decretada situação de emergência no dia 7 deste mês, cuja publicação ocorreu no dia 13.

"Uma vez que os números são estatísticos e, levando em consideração que parte das pessoas infectadas não procura os serviços de saúde do município, podemos chegar a um número maior de pessoas contaminadas", diz a nota divulgada pelo município.

Segundo a Prefeitura, o município adquiriu inseticida e 10 cadeiras de hidratação e soroterapia e criou o Comitê Municipal de Prevenção e Controle de Arboviroses

Ainda de acordo com a Prefeitura, entre as medidas definidas como prioritárias pelo município para o combate estão:

A nota do município sobre a epidemia e as ações realizadas está disponível na página da Prefeitura

Além de Bom Jesus, outras cidades do Norte e Noroeste do Rio estão enfrentando problemas com as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Campos dos Goytacazes, maior cidade da região, enfrenta um surto de chikungunya, com 3.554 casos da doença em 2019. A estrutura de atendimento aos pacientes na cidade precisou ser ampliada.

Miracema  decretou emergência  por conta do número de casos de doenças transmitidas pelo mosquito. Em Itaperuna, são 943 casos confirmados de chikungunya e 3.121 casos suspeitos são investigados. 

  • Contratação temporária de novos agentes de endemia
  • Aquisição de insumos necessários para a remediação dos sintomas
  • Autorização de disponibilização, caso seja necessário, de técnicos de enfermagem e enfermeiros da Prefeitura para auxiliarem o corpo técnico existente no Posto de Urgência
  • Elaboração de relatório diário das atividades realizadas pelos agentes de endemias e agentes comunitários de saúde, dos trabalhos efetuados em conjunto ou isoladamente pelas secretarias, além de relatório de todos os atendimentos realizados no Posto de Urgência.

UM NOVO VIRUS  TRANSITANDO

Há um novo vírus transitando no estado do Rio de Janeiro. Essa é a conclusão de um recente estudo do Laboratório de Virologia Molecular, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Provocada pelo vírus de mesmo nome e “primo” da Chicungunha, a febre de Mayaro é observada de forma endêmica na região Norte do país. A infecção pelo vírus, pertencente à família Togaviridae e ao gênero Alphavirus, causa febre alta e dores articulares crônicas, o que provoca confusão na tentativa de diagnóstico clínico, se baseado apenas nas características sintomatológicas das infecções.

Como o estudo foi feito

Em 2016, o Laboratório fez diagnóstico molecular de arboviroses na região Sudeste (dengue, zika, entre outros), incluindo o vírus da Chicungunha, que ocasionou, em 2016, um surto na região Sudeste, persistindo com seu maior índice agora em 2019.

Sob coordenação dos pesquisadores Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro, foram estudadas 279 amostras indicativas de infecção pelo vírus da Chicungunha, seguindo o quadro sintomatológico.

Do total, 57 amostras (duas em cada dez) não apresentaram diagnóstico molecular para o próprio vírus nem sorológico, sendo consideradas de análise indeterminada. Isso se deve, principalmente, ao tempo de coleta das amostras clínicas para diagnóstico (sangue e urina), que só possuem sensibilidade para detecção do vírus da Chicungunha numa janela de cinco e 21 dias pós-sintomas iniciais para sua detecção, respectivamente. Após esse período, é comum haver uma limpeza do vírus nos fluidos corporais, mesmo com a permanência dos sintomas clínicos.

Na reanálise dos 57 casos indeterminados para Chicungunha sob PCR em Tempo Real, capaz de amplificar uma região de 107 pares de bases de genoma do gene NS1, específico do Mayaro, detectaram-se três casos retrospectivos de diagnóstico para esse vírus, endêmico da Amazônia. O PCR em Tempo Real é uma versão aperfeiçoada da PCR (Reação em Cadeia da Polimerase, em português). Seu princípio se embasa na duplicação de cadeias de DNA in vitro que pode ser reproduzida diversas vezes, originando quantidade de DNA suficiente para realizar várias análises.

Com a detecção do Mayaro nas três amostras, os cientistas comprovaram, portanto, que os vírus do Mayaro e da Chicungunha já circulam juntos no estado do Rio de Janeiro. Em diferentes proporções, provocam o mesmo quadro clínico de febre alta e dores articulares crônicas. A descoberta pode causar um desafio diagnóstico ainda maior, porque existe uma grande reatividade sorológica cruzada entre os vírus Mayaro e o da Chicungunha.

Os três casos possuem características epidêmicas comuns: todos são de Niterói,  provavelmente de pessoas infectadas que não viajaram para regiões endêmicas e identificados no ano de 2016.

Os pesquisadores agora realizam estudos para confirmar e aprofundar as características virais, epidêmicas e sorológicas das infecções. Será necessário também realizar estudos de xenovigilância epidemiológica, coletando mosquitos de diferentes espécies (Haemagogus, Sabethes, Aedes e Culex) na região afetada (Niterói, São Gonçalo, Maricá etc.) a fim de avaliar a existência desse vírus amazônico de forma ecotrópica, na região do Grande Rio.

A população deve seguir os mesmos procedimentos já adotados para combater os mosquitos da dengue, entre eles evitar água parada e usar repelentes.

FONTE/CRÉDITOS: g1
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